Resultado de imagem para liderança cristãLiderança Cristã

Reunião do Conselho DISRIU – Distrito Rio Uruguai

Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Erechim, 25 de outubro de 2016


Lide rança Cristã

Introdução: Vivemos na era dos grandes planejamentos. Dia e noite pessoas estão prostradas sobre computadores, planejando novas máquinas e desenvolvendo novos projetos.

E o que faz a Igreja Cristã? Cristo confiou a ela a mais importante de todas as tarefas: "Pregar o evangelho a toda a criatura" (Mc 16.15). Um trabalho que traz frutos para a eternidade (1Co 15.58). Para a realização desta obra, Deus mantém o mundo. E todo o verdadeiro cristão vive para a missão. "Pois o nosso viver é Cristo" (Fp 1.2). E o apóstolo Paulo recomenda: "Tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai" (Cl 3.17).

Sem dúvida alguma, esta importante obra também precisa ser cuidadosamente planejada. Ao planejarmos este trabalho, não estamos programando a ação do Espírito Santo. A missão é de Deus. O Espírito Santo é livre em sua ação, e age "quando e onde lhe aprouver" (1Co 12.13). Não somos nós que nos valemos do Espírito Santo. Pelo contrário, somos instrumentos do Espírito Santo neste trabalho (Cat. Maior, 2a. parte, 53, FC, p. 454). Mas Deus gera seus filhos por Palavra e Sacramentos (Rm 10.17; Tt 3.5; Jo 1.13; Ef 2.5; At 4.47). Proclamar a palavra e administrar os sacramentos é a tarefa que Deus conferiu à sua igreja. E esta tarefa deve ser planejada. Quando falamos em planejamento nos referimos ao cuidadoso cumprimento de nossa ação, como instrumentos de Deus Espírito Santo. Cabe-nos cumprir nossa tarefa de proclamar a palavra de Deus a todas as nações e para tanto engajar todas as forças e dons que Deus concedeu à sua igreja. Foi isso que os homens santos de Deus fizeram em todos os tempos. Lembremos Josué, que recebeu de Deus a ordem de conquistar a terra de Canaã. Deus disse a Josué que ele deveria ser forte e corajoso. Observe com que cuidado Josué planejou todas suas guerras. Planejou com muita oração, firmado na ordem e promessa de Deus (Js 7). Veja como o bom pastor zela por seu rebanho a ponto de notar a ausência de uma ovelha (Lc 15).

Em si, toda a ação obedece a um planejamento, mesmo sendo este baseado na experiência. Por isso diz um ditado: Mesmo não planejando, estamos planejando o fracasso. É nosso dever ser cuidadosos (Pv 21.5; 1Tm 4.15).

No planejar, cumpre compreender bem nosso propósito na missão, analisar a situação existente (diagnostico), fixar os objetivos, elaborar um plano de ação e avaliar os resultados.

Para este planejamento e execução Deus usa as pessoas, nós, os cristãos. Dentre todos que devem agir, são necessárias pessoas que liderem, orientem e dimensionem as diversas tarefas. No exemplo citado, encontramos Josué, que era um do povo, mas que recebeu a incumbência de líder. Assim Deus também escolhe líderes hoje, diversos líderes, cada qual no seu setor e no seu lugar para alcançar os objetivos da igreja, para que a tarefa da igreja seja feita e os propósitos alcançados.

 

Propósito:

Qual a tarefa da igreja? A pergunta pode parecer primária. Mas sempre houve e há ainda dúvidas a respeito. É preciso lembrar que a tarefa da igreja não é reformar o mundo, lutar por uma melhor justiça social, por melhor forma de governo, lutar pela preservação do meio-ambiente, ou por mais moralidade. A tarefa da igreja é chamar ao arrependimento e proclamar remissão de pecados pela graça que há em Cristo (Lc 24.47).Ou, resumindo, fazer discípulos (Mt 28.28-20; Mc 16.15, 16; At 1.8). E isto somente é feito pela pregação da palavra de Deus. Cabe à igreja zelar para que a palavra de Deus cresça (At 12.24; 19, 20; 2Co 5.19; Cl 3.15-16). Do ofício das chaves emana todo o poder para este trabalho.

Em segundo lugar cumpre lembrar que nossa tarefa não consiste simplesmente em proclamar a palavra de Deus em determinado lugar, mas alcançar todas as nações com a pregação do evangelho. Isso é uma tarefa enorme. Para poder alcançar este objetivo precisamos reunir nossas forças com nossos irmãos na fé em nível local, distrital e nacional.

Em terceiro lugar não queremos perder de vista o propósito principal da igreja: fazer discípulos. Portanto, não só semear a palavra. Nossa tarefa inclui as etapas de semear, cultivar, colher e usar o fruto colhido. Isto é, queremos semear a palavra de Deus para que o Espírito Santo possa operar a fé (Mc. 16.15). Queremos cultivar a jovem planta da fé para que possa crescer (Mt 28.20; Cl 3.15). Queremos colher esta planta para a comunhão dos irmãos, na congregação (At 2.41-47; Hb 10.25). Queremos treinar os discípulos para o desempenho de sua missão como sacerdotes de Deus (Ef 4.12; 1Pe 2.8). Frequentemente executamos somente algumas funções e desleixamos outras. Por isso o trabalho não progride. É nossa incumbência organizar o trabalho cuidadosamente para que as quatro etapas sejam executadas, e todas as forças que Cristo concedeu à sua igreja sejam engajadas na missão da igreja.

 

Análise da Situação:

A análise da situação compreende os seguintes passos: O olhar para trás, o olhar para a situação atual e confrontar a situação com o propósito da igreja. Para isso são necessários dados estatísticos.

Estes dados deverão ser analisados para compreendermos como temos cumprido nossa missão até o presente momento.

Convoque para isso suas lideranças: a diretoria da congregação, diretorias dos departamentos, líderes da congregação e faça com eles uma avaliação da situação. Uma boa análise é fundamental para um bom planejamento.

 

Objetivos:

Clarificados os desafios e as oportunidades, formule sua forma de ação. Mesmo sendo o propósito da igreja cristã um só, cada congregação tem seus desafios próprios e suas oportunidades especiais e peculiares. Daí a necessidade de desenvolver sua forma própria de ação. Isto é, determinar os objetivos e colocá-los em ordem de prioridades.

Os objetivos precisam ser formulados com clareza. Descreva-os como resultados finais da ação. Os objetivos devem ser mensuráveis, ousados (firmados na ordem e promessa de Deus, conforme a fé), realistas e limitados no tempo. Os objetivos devem refletir os propósitos da congregação.

 

Plano de Ação:

Clarificados os objetivos e ordenados em sua ordem de prioridades, começa a parte mais difícil do planejamento. O planejar pelo fixar de etapas e metas, como alcançar os alvos, objetivos estabelecidos. Nesta tarefa serão analisadas as perguntas:

1.    O que deve ser feito?

2.    Como isso deve ser feito?

3.    Quem deve fazer o quê?

4.    Em que espaço de tempo cada tarefa deverá ser feita?

1. O que deve ser feito? É preciso descrever com clareza a ação a ser desenvolvida;

2. Como isso deve ser feito? Que material é necessário, que recursos são necessários? Em quantas etapas o trabalho deverá ser dividido?

3. Quem deve fazer o quê? Quantas pessoas são necessárias para fazer a tarefa. Esta tarefa merece cuidado especial no planejamento. Cada nova tarefa precisa de novos líderes. Empilhar projetos nos mesmos líderes conduz ao fracasso.

4. Em que espaço de tempo cada tarefa deverá ser feita? Cronograma.

Assim devemos planejar cada área de ação da congregação. Cada setor da congregação deveria ser cuidadosamente planejado, também a participação da congregação em âmbito distrital e nacional.

Fixados os diferentes planos, eles deverão ser cuidadosamente coordenados. A fim de evitar que um plano venha a prejudicar ou esvaziar projetos em andamento. Por exemplo, programas de congregações versus programas distritais.

 

Avaliação:

Muitos têm medo da avaliação, mas ela é necessária. O objetivo da avaliação é notar o que Deus está fazendo e detectar nossas falhas e os empecilhos. A fim de podermos aperfeiçoar e melhorar nosso trabalho, nosso planejamento. Algumas perguntas poderão ajudar:

1) O que foi planejado?

2) Como isso deveria ser executado?

3) Quem faria o que no trabalho?

4) O que foi feito?

5) O que não foi executado e porque não?

6) Quais foram os empecilhos?

7) Como as coisas poderão ser melhoradas?

8) Que providências deverão ser tomadas?

Cumpre lembrar que a avaliação do trabalho de uma congregação é feita de forma diferente da avaliação do trabalho de uma empresa. Na avaliação do trabalho de uma congregação nos interessa em primeiro lugar se os servos foram fiéis à palavra de Deus (1Co 4.2). Nos interessa, portanto, mais como o trabalho foi feito, do que os resultados numéricos do trabalho. O que não nos leva a descuidar os resultados numéricos.

A Necessidade de Lideranças:

Em todas as atividades e empreendimentos são necessários líderes. Na prática, não existe progresso nem grandes realizações sem grandes líderes. Grandes lideranças conseguiram transformar situações adversas em grandes realizações. Uma boa liderança transforma uma pequena organização, um país insignificante em grandes empresas e países de respeito. Boas lideranças sempre encontram tempo necessário para transformar objetivos modestos em superações e altas conquistas.

Algumas colocações sobre a necessidade de liderança:

—Um grupo sem liderança é um grupo inseguro e caminha sem rumo.

—Uma liderança negativa destrói, desvia dos objetivos e confunde.

—Liderança sólida, leal e forte é uma das necessidades no país e no mundo de hoje.

—Não apenas o país e o mundo chamam por líderes íntegros, mas também a igreja necessita desesperadamente de líderes bons e fortes.

—O autodidatismo em liderança não é mais suficiente. Hoje são investidas grandes somas na formação de lideranças. Isto não significa que se despreza a experiência e a prática.

—A igreja Cristã também necessita de lideranças. A necessidade é maior porque os objetivos e valores são eternos, consequentemente mais elevados.

—É preciso que o líder coloque o bem da organização acima das necessidades individuais.

— Melhor é treinar dez pessoas para o trabalho, do que trabalhar por dez.

O que é Liderança:

— Um líder não diz: eu mesmo faço tudo, assim tenho certeza que será bem feito.

— Liderança verdadeira é uma qualidade encontrada em poucas pessoas. Devem ser aproveitados os reais líderes.

— BUTLER, diretor da Universidade de Columbia, diz:

"Há 3 espécies de pessoas no mundo - aqueles que não sabem o que acontece, aqueles que observam o que acontece e aqueles que fazem as coisas acontecer".

— Uma característica comum a todos os líderes é a habilidade de fazer as coisas acontecer. Eles agem para ajudar outros a atuar envolvendo-os para que cada um dos liderados se sinta muito encorajado e estimulado a ponto de ajudar na realização usando seu inteiro potencial, contribuindo significativamente para que os objetivos sejam alcançados.

— Ação é a chave da liderança.

— O líder geralmente é um bom executivo, mas o bom executivo não é necessariamente um bom líder, pois lhe pode faltar capacidade de motivação a outros.

— Não se deve confundir a liderança com posição social, status, conhecimento e magnetismo pessoal.

— Liderança é exercida em cada palavra e ação para influenciar em direção do fim desejado.

— Homens de fé têm sido sempre homens de ação ou, ação de liderança requer fé.

— O fato de reconhecer que Cristo motiva líderes para ação, não significa que o ser humano é boneco passivo. Paulo admite que Deus age nele (1Co 5.6), mas ele nunca abdicou da atividade para conseguir resultados. No fim da vida pode dizer: "Combati o bom combate" (2 Tm 4.7).

Alguns Princípios de Liderança, para Alcançar Resultados:

O líder deve agir de forma a alcançar resultados. Para que isto aconteça, deverá observar certos princípios:

1. Determine seus objetivos - Escreva-os, precisos, breves e claros.

2. Planeje as atividades necessárias — Ordene seus objetivos: gerais, específicos, a longo, médio e curto prazo. Questione cada um (É necessário? é importante? por quê?)

3. Organize o seu programa — Lembre que as coisas urgentes não são necessariamente importantes. Eisenhower: "O importante raramente é urgente, o urgente raramente é importante". Ordem de prioridade.

4. Prepare um cronograma. E siga-o!

5. Estabeleça pontos de controle — Quando revisar. Ajustamentos necessários.

6. Torne claro as responsabilidades de cada um - Autoridade, delegação, relacionamento, coordenação e controle.

7. Mantenha canais de comunicação - Superiores e subordinados, todos informados. Racionalize e torne os canais fáceis.

8. Desenvolva cooperação - o sucesso depende do trabalho conjunto do grupo.

9. Resolva os problemas - O grupo pensando, multiplica o pensamento

Atritos são entrave.

a) Identifique o problema - Aparências enganam.

b) Desenvolva possíveis soluções, selecione a melhor.

c) Determine um plano de ação e o execute.

d) Verifique os resultados.

10. Dê credito a quem de direito. O reconhecimento é de fundamental importância.

 

A BÍBLIA E A LIDERANÇA CRISTÃ

Liderança cristã representa ação. É também instrumento para os guias espirituais . Se a liderança e suas técnicas podem ser usadas para propósitos do mundo, a igreja pode usar os mesmos instrumentos para a glória de Deus.

Onde vamos procurar os instrumentos para liderança na Igreja? É suficiente emprestá-los do mundo secular e de sua literatura? Se as Escrituras Sagradas são a norma de fé e de vida para cada cristão individualmente e para o conjunto, ou seja para a Igreja, também a liderança cristã deve buscar na Palavra de Deus suas normas e orientação. Deus sempre usou líderes no trabalho do seu Reino no mundo. Ler Êx 18.25.

Seguiremos o roteiro proposto por Ted W. Engstrom, no seu livro The Making of a Christian Leader, onde ele propõe o estudo do assunto dividido em:

I. O ANTIGO TESTAMENTO E A LIDERANÇA,

II. CRISTO E LIDERANÇA NOS EVANGELHOS

III. AS EPÍSTOLAS E LIDERANÇA.

I. O ANTIGO TESTAMENTO E A LIDERANÇA

Deus Escolhe Líderes

A Bíblia está cheia de exemplos como Deus usa líderes. É verdade que muitas vezes falharam em alguns pontos. Eles, porém aprenderam com os erros arrependendo-se e sendo usados, depois, mais intensamente.

 

Vejamos alguns exemplos:

José — após sua venda para o Egito pelos irmãos, tornou-se líder do povo. Administrou as fartas colheitas. Teve que usar todas as técnicas, pois os homens com quem trabalhou provavelmente pouco cooperavam. Cf. Gn 41.14-57. Deus não lhe deu soluções prontas, mas usou suas aptidões.

— O povo de Deus precisa ser guiado. Na figura do Pastor, tão usada, é mostrado como o "líder" indica o caminho.

— Ex 18.13-17 - Conselhos de Jetro a Moisés.

— 1Cr 24. A ordem do Sacerdócio em vários escalões.

— 1Tm 3.4-5. Como o marido é cabeça do lar. Assim na igreja.

Obs.:

— O líder não deve se sentir prepotente ao exigir cumprimento. É ordem divina. Outro exemplo: Pais têm problemas hoje por acharem não ser humano mandar. Não se deve confundir igualdade diante de Deus com a ordem hierárquica e organizacional. Deus adverte contra isto (cf. Rm 13.1e Lc 7.6-9).

— A autoridade carrega consigo grande responsabilidade. A autoridade é ordenada por Deus para ser usada para os seus objetivos. Deverá haver sensibilidade para os que lideram como para os que servem.

— A natureza da autoridade pode ser mais complexa do que se pensa geralmente. A autoridade depende da atitude com que é recebida pela pessoa que a exerce.

MOISÉS, um líder - Êx 18.13-27

Anotamos algumas ideias e princípios de administração sugeridas no texto:

V.13 - Observação e inspeção pessoal.

V.14 - Questionamento - uma finalidade.

V. 15 - Resolver conflitos - correção.

V.16 — Julgamento. Constatação sem vacilação. Conclusão

V. 18 — Avaliação. Do efeito sobre o líder e o povo.

V.19 — Coação, aconselhamento, representação, esclarecimento de procedimentos.

V.20,21— Ensinamento, demonstração, atribuição específica, delegação, seleção, estabelecimento de qualificações, determinação de responsabilidades, ordem hierárquica.

V.22 — Especificação do controle, julgamento, avaliação, limite de decisão e administração por excessão.

V.23 — Apresentação dos benefícios.

V.24 — Anotações, implementações e execução do plano.

V.25 - Escolha, seleção, atribuição específica de responsabilidades.

V. 26 — Julgamento e avaliação.

Ficou claro que Moisés recebeu uma boa orientação e encorajamento para a grande tarefa para a qual tinha recebido incumbência. Em muitas oportunidades demonstrou grandes qualidades de liderança. Sua missão específica começou somente quando já tinha 80 anos de idade. O povo não entendeu logo a sua missão para qual Deus o chamou (cf. At 7.23-27).

Mais tarde, no deserto, Moisés teve a atitude correta, quando soube que era tempo de treinar outros para liderança. Soube que não entraria na terra prometida. Não se lastimou, nem se consumiu em autopiedade. Estava mais preocupado em dirigir corretamente e preparar a liderança futura.

No Novo Testamento encontramos detalhes que nos oferecem melhor compreensão sobre as qualidades que Moisés possuía. Vejamos Hebreus, cap.11: v.24 - Fé; v.25 - integridade; v.26 - Visão; v.27 -Decisão; v.28 - Obediência (Também necessária para um líder); v.29 - responsabilidade.

 

DAVI - um forte líder espiritual.

Davi, o 2º rei de Israel, lutava contra Saul, o primeiro rei. Enquanto Davi era nobre, generoso e admirado, Saul foi ignóbil e não tinha a maioria das qualidades que se espera de um líder.

Davi chegou ao trono aproximadamente 1.000 a.c. e reinou por ca. 40 anos. Conduziu muitas conquistas e guerras, lançou os fundamentos para o grande império salomônico. Iniciou um período de esplendor e poder para a nação israelense. O sucesso de Davi era baseado na bênção de Deus. As razões para o seu sucesso não são difíceis de encontrar.

Quando Davi foi apresentado aos anciãos, eles reconheceram suas qualidades e fortes traços de liderança (2 Sm 5.1-3). Foi ele o real poder no governo de Saul, que passou a ser mera figura decorativa. O motivo dos representantes das tribos o escolherem para seu rei foi o fato de reconhecerem que ele foi escolhido de Deus.

Líderes cristãos servem melhor quando sabem que foram escolhidos por Deus.

Como líder, Davi tinha qualidades que atraíam outros. Os anciãos vieram a ele (2 Sm 5.1-3), não foi ele que se impôs. Mostrou serviço anteriormente: valentes conquistas e sábia administração.

Vejamos os segredos do sucesso de Davi:

1. 2Sm 5.11- Sábia diplomacia distinguia o seu reinado. Sabia aplacar inimigos, vencer amigos. Era amoroso. Fez amigos verdadeiros.

2. 2Sm 5.12 - Reconheceu a bênção de Deus. Não creditou a si o sucesso e a prosperidade. Reconheceu em Israel o Povo de Deus. A diferença do líder cristão: Atribui a Deus os sucessos e realizações.

3. Davi procurou a bênção do Senhor continuamente (2Sm 6.12, 15). Sabia da absoluta necessidade desta bênção.

4. Como líder, Davi não se envergonhou em sacrificar a Deus (2 Sm 6.13). Também não se esqueceu de agradecer ao Senhor (2 Sm 6.14). O resultado foi que o povo trouxe de volta a arca do Senhor.

Davi ilustra claramente que o líder cristão também deve estar disposto a usar meios espirituais e estimular seus colegas e liderados. Deus abençoa quem nele confia.

 

NEEMIAS - Um líder de líderes

Um exemplo de liderança forte é Neemias, que juntamente com Esdras e Zorobabel, foi instrumento na reconstrução de Jerusalém e seus muros. Falou sobre organização. Tinha muitas qualidades de excelente liderança. Seu caráter era irrepreensível. Demonstrou grande coragem, mesmo diante de muita oposição. Tinha grande consideração por seu povo, demonstrou, por seu tato, imparcialidade e caráter e decisão. Além disto, ele não rejeitou a responsabilidade que lhe foi dada.

Neemias tinha grande habilidade de encorajar seus conterrâneos e, então, expressar apreço quando agiam. Ele tratava os problemas prontamente, antes de se tornar severo.

Sua habilidade de organização, acompanhada pela estratégia e planos detalhados, são exemplos para todo o futuro líder. A leitura completa do livro de Neemias é importante para descobrir princípios de liderança e administração.

 

II. CRISTO E LIDERANÇA NOS EVANGELHOS

Qualquer estudo sobre liderança cristã é incompleto sem o estudo da vida de Cristo. É essencial reconhecer o conceito por Jesus emitido sobre liderança: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir", ou ainda "Estou entre vós como um que serve" (Mc 10.45 e Lc 22.27).

Se Cristo usou tanto do seu tempo com seus discípulos, certamente quis instruí-los com o exemplo de sua vida também. Ele veio servir, assim os discípulos também deveriam proceder. Este era o seu método de liderança. Ele mesmo deu sua vida, que culminou com sua morte na cruz. O AT profetizou que o Messias seria um "servo sofredor". Seu servir não degenerou. Era humilde, mas manteve a dignidade.

Voluntariamente lavou os pés dos discípulos. Sua vida perfeita, sem pecado, terminou no sacrifício pela causa proposta no Calvário. Jesus ensinou o tempo todo que a grandeza não está na posição social, mas na capacidade de servir. Ele tornou claro que a verdadeira liderança está baseada no amor que deve produzir frutos no servir.

Observando mais de perto, vamos descobrir que seu ministério estava baseado no ensinar. Dizem os evangelhos em vários lugares que Ele ensinava como quem tem autoridade. Os letrados da sinagoga se admiraram de seus ensinamentos, mesmo que discordassem. Ele sabia que para perpetuar a verdade, teria que ensinar. Por isto treinou seus discípulos.

 

CRISTO E A AMBIÇÃO

O apóstolo Pedro nos conclama a "crescer na graça, no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo".

No mundo as pessoas têm muita ambição pessoal de controlar outros, ter poder, ser inescrupulosos no "fazer dinheiro" e de dominar sobre os outros. Mas Cristo transmitiu aos discípulos um conceito diferente de ambição e grandeza. "Mas Jesus, chamando-os para junto de si... quem quiser ser o primeiro entre vós, será o servo de todos" (Mc 10.42-44).

A ambição cristã deve estar vestida de humildade. Não é o número de servos que nos servem que conta, mas o número de pessoas a quem servimos. Verdadeira grandeza, verdadeira liderança está no nosso serviço aos outros.

 

O QUE LIDERANÇA NÃO É

Liderança bíblica, em termos da vida de Cristo, é vista também claramente quando consideramos o lado negativo da questão.

Lc 22 é uma passagem que proporciona alguns valiosos princípios para ajudar-nos a analisar a visão do Senhor sobre liderança. A passagem, nos versículos 24 a 27 contém estes princípios. Mas o contexto é importante. Jesus havia instituído a Santa Ceia, o grande mistério do Deus encarnando. É inacreditável que aquilo que está descrito nestes versículos pudesse ter acontecido neste contexto.

1.A liderança no NT não é jogo político de poder.

A Escritura recorda a disputa dos discípulos logo após terem participado da Ceia do Senhor. O jogo do poder político na igreja é mesmo mais repreensível do que no mundo. Infelizmente este jogo tem se multiplicado na igreja nestes 2.000 anos.

2. Liderança no NT não é atitude autoritária. Lc 22.25 mostra a reação do Senhor aos argumentos de seus discípulos. Este tipo de disputa é para os "reis da terra", que buscam honras. Liderança não exerce sua autoridade e poder para subjugar os liderados.

Lc 22.26: "Mas vós não sois assim". É diferente com os discípulos de Cristo que devem liderar o trabalho do Reino de Deus.

3. Liderança no NT não é controle cultural. Uma das palavras mais lindas e significativas no trabalho da igreja é diácono. Significa "servidor" e é precisamente o que Cristo fez por seus discípulos naquele cenáculo. Segue-se a pergunta retórica e a resposta: "Sou eu quem serve..."

 

CONCLUSÃO:

A liderança no Novo Testamento não é brilhantismo, relações públicas e plataforma pessoal, mas humilde serviço para o grupo. O trabalho de Deus deve ser desenvolvido por poder espiritual. Paulo aponta para isto em 1Co 1.26-31. Alguns líderes servem a Palavra e outros servem as mesas, mas todos SERVEM (At 6.1-7).

O LADO POSITIVO

Kenneth O. Gangel no seu livro Competent to Lead, sugere 4 itens positivos da liderança cristã.

1. A liderança de nosso Senhor focaliza o individual. Sua conversa pessoal com Pedro é um exemplo (cf. Jo 21).

2. A liderança do Senhor focaliza as escrituras. O tratamento das verdades absolutas de Deus não ficaram diluídas com filosofia relativista. Coloca o AT em alta estima: "Ouvistes o que foi dito..." (Mt 5.21-48).

3. A liderança do Senhor focaliza a si mesmo (Jo 14.9).

4. A liderança do Senhor focaliza o propósito. Cristo estabeleceu claramente objetivos para o seu ministério no mundo.

 

III. AS EPÍSTOLAS E LIDERANÇA

É interessante notar que Cristo não revelou uma completa estrutura ordenada de igreja pronta, quando entregou as chaves do Reino dos Céus aos discípulos e à Igreja. A estrutura da igreja no NT desdobrou-se conforme as lideranças de homens comprometidos com a causa.

As Epístolas nos fornecem mais material para o estudo da liderança no N.T. Atos dos Apóstolos é narrativa histórica. As epístolas, especialmente as de Paulo e de Pedro, que aparentemente foram comissionadas pelo Espírito de Deus para organizar igrejas locais, apresentam o plano de Deus e padrões para o funcionamento destas igrejas. 1Ts 2 nos servirá de modelo.

 

LIDERANÇA DA IGREJA NO N. T. É EDUCAÇÃO

Em 1Ts 2.7, 8 Paulo usa a palavra "dóceis" para marcar a relação pessoal na liderança (epioi). Em 2Tm 2.24 Paulo emprega a palavra que foi traduzida por "brando" para descrever "o servo do Senhor".

O mundo indentifica masculinidade como vigoroso e rígido, mas Deus define como "brandura". Entende o mundo a liderança como manipulação de adultos, mas Deus a entende como orientação a crianças. Um líder é qual um pai que orienta seus filhos pela exortação e pelo encorajamento.

 

LIDERANÇA NO N T. É EXEMPLO

O duro trabalho de Paulo é apresentado em 1Ts 2.9. Durante o dia e a noite, com grande esforço ele trabalhou entre os convertidos. Sua vida foi um exemplo de santidade, justiça e correção diante de Deus.

Em 1Ts 2.5, 6 Paulo assegura aos Tessalonicenses que seus líderes eram "homens", não uma espécie de superhomens, gigantes eclesiásticos.

 

LIDERANÇA NO NT. É PATERNAL

O que faz um pai? Segundo Ef. 6.4 ele é responsável pela criação dos filhos.

Em 1Ts 2.11, 12: são usadas as palavras "exortamos" e "consolamos". Estas duas palavras no original são muitas vezes usadas juntas por Paulo. A primeira é usada para o ministério divino, mas a segunda é sempre uma palavra humana. O "consolar", que também significa "encorajar", nunca é usado diretamente para o consolo de Deus, mas é , forma de descrever a maneira que Deus usa pessoas para ministrar a outros na comunhão de fé. Um pai também "exorta" seus filhos. A palavra também tem a idéia de admoestação ou testemunho da verdade de forma que se conduzam em padrões aceitáveis a Deus.

Primeiramente apresentamos o padrão positivo de Cristo no treinamento de liderança. Agora mencionamos o exemplo de Paulo. O desenvolvimento da igreja no N.T. estava na multiplicação daquelas poucas pessoas de Atos 1. Muitos líderes da igreja foram treinados pessoalmente por Paulo. Ele foi de fato o "projeto piloto": Timóteo, Silas, Tito, Epafrodito, os anciãos de Éfeso e muitos outros.

Existem congregações hoje que se parecem com as lideranças exercidas no mundo, condenadas pelo Senhor em Lc 22. Há, sem dúvida diferença entre uma e outra liderança.

 

ANCIÃOS, PRESBÍTEROS, BISPOS E DIÁCONOS

Uma das passagens chaves para a qualificação de líderes é 1Tm 3.1-10.

Parece evidente que os líderes na igreja do N.T. eram escolhidos geralmente entre os "anciãos', os mais idosos (cf Tt 1.5). Em At 14.23 nos é dito que na primeira viagem missionária Paulo e Barnabé escolheram "presbíteros". Dentre estes "presbíteros" e "anciãos" emergiam líderes especiais, que se tornaram conhecidos por "bispos". Estes assumiam uma função toda especial.

A instituição dos "ANCIÃOS" tem uma longa história que precede, inclusive, a constituição da igreja no N.T. Temos a palavra "presbítero" do grego. Em Nm 11.16 é registrada a escolha de setenta anciãos para ajudar Moisés na administração do povo.

Estes anciãos existiam antes que fossem escolhidos para a tarefa especial. Neste tempo cada sinagoga tinha seus anciãos que eram reconhecidos como guias espirituais na comunidade. Na formação de uma sinagoga eram necessários dez homens. Estes, normalmente, eram fortes líderes comunitários.

Os anciãos ou "presbíteros" eram respeitados, figuras paternas, usados pelo Senhor para dar orientação à igreja.

O segundo termo usado em 1Tm 3 é "epískopos", de onde vem a palavra "episcopado". Esta palavra pode ser traduzida como "supervisor" ou "superintendente". Este conceito também tem uma longa história. Na Septuaginta esta palavra é encontrada diversas vezes. Em 2 Cr. 34.17 há uma descrição dos homens que "dirigem a obra e dos que executam". No N.T. seria uma pessoa que tem supervisão de uma igreja ou um grupo de igrejas (congregações).

 

SEPARADO PARA...

Antes de estudar as qualificações, deve-se notar que os líderes no N.T. eram formalmente "separados" para os seus ofícios (At 13.2). Eles eram ordenados (Tt 1.5). Tinham que se submeter a testes para provar a si mesmos (1Tm 3.10). Geralmente eram pagos por seus serviços (1Tm 5.18). Eram sujeitos a censura (1Tm 5.19-22).

Paulo observava suas tarefas não apenas na igreja, mas também em outras áreas. Afirma que se eles falhassem nestas, haveria grande probabilidade de falharem também naquelas. A primeira tarefa foi a de ser ancião em sua própria casa. Pois quem não tinha condições de instruir sua própria casa, não seria apto de treinar a igreja. O segundo critério era o de responsabilidade de bispo no mundo. Ele devia ter "bons testemunhos dos de fora" (1Tm 3.7). Ver Tb. At 6.3. Este era o teste real.

Pouca coisa tem machucado mais a igreja do que líderes que falharam nas suas obrigações sociais.

Paulo aponta outras qualificações importantes em 1Tm 3.1ss. Vejamos as qualidades:

1. irrepreensível (que não deixa margem para ser atacado),

2. Esposo de uma só mulher,

3.Temperante... (até v. 13)

 

PEDRO TAMBÉM FALA SOBRE LIDERANÇA

Pedro fala sobre o assunto de liderança cristã em sua primeira Epístola (1Pe 5.1-7). Quando escreveu esta carta ele era uma figura proeminente na primitiva igreja. Além de estar ligado muito a Jesus, ele era honrado e respeitado por causa de seu papel vital na formação da 1ª igreja em Jerusalém. Foi ele quem pregou aquele sermão relatado em Atos dos apóstolos, cap. 2.

É importante observar seus conselhos. Poucas passagens mostram o significado da liderança cristã mais claramente que em 1Pe 5. Seu escrito começa endereçando suas palavras aos colegas presbíteros. Ele relaciona os perigos e privilégios da liderança.

Primeiro, Pedro diz que os líderes devem cuidar do rebanho. Eles devem ser motivados de maneira apropriada — não por coerção, mas espontaneamente. Eles aceitarão suas responsabilidades, não como profissionais, mas com real compaixão pelos outros.

Em segundo lugar, Pedro ressalta o honroso chamado de liderança. O interesse do líder não deve ser a procura de vergonhoso proveito próprio. As decisões em seu trabalho não devem ser afetadas por interesse de ganho pessoal. Além disto, um líder não deve ser ditator, nem tirano. Sua maior preocupação deve ser a de se tornar um exemplo digno para o seu rebanho. Suas ações não são dirigidas pelo amor ao poder ou à autoridade. Humildade, diz Pedro, deve ser evidente em seu relacionamento com os outros. "Cingi-vos todos de humildade", conclue o texto (v. 5).

Formalmente, os verdadeiros líderes cristãos não se revoltarão contra as más experiências da vida, mas aceitarão a mão de Deus sobre suas vidas. Terão presente que Deus os está moldando para serem mais parecidos com seu Filho, mesmo que seja pela tribulação. Pelo sofrimento Deus pode colocar uma pessoa no devido lugar, bem como restaurar alguém que confiava em sua própria carne.

 

CONCLUSÃO

Deus quer usar todas as nossas capacidades para a construção do seu reino. Toda a liderança visa tornar mais eficiente o trabalho da igreja no sentido de alcançar os objetivos da própria igreja: A SALVAÇÃO DAS PESSOAS. Cada um de nós tem algumas capacidades para liderar algum setor de trabalho da Igreja, sempre visando o bem daqueles que nos cercam. Se a igreja não consegue realizar melhor as suas tarefas é porque nós não colocamos a seu serviço todas as nossas capacidades de servir.

Importante para sermos melhores servos de Cristo é nos adestrarmos sempre melhor. Aprender técnicas de liderança e administração são muito importantes. Mais importante, porém, é o uso constante de sua Palavra e dos sacramentos. Estes meios da graça aumentarão a fé. A fé, por sua vez, vai nos fazer agir. Não deixemos para depois, argumentando que ainda não estamos suficientemente preparados. Enquanto nos preparamos melhor, simultaneamente devemos agir. O agir e o aprimorar são constantes e simultâneos na vida do cristão.

Quando sentir que, de vez em quando, fracassou, não desanima. Os grandes líderes da Bíblia e na história da Igreja também tiveram suas fraquezas e fracassos. Mesmo os que citamos como exemplo. Davi, Moisés, Pedro e outros, também tiveram seus erros e fracassos. Importante é começar já, e, se fracassou, busca o perdão com arrependimento, recomeçando novamente.

Não há tempo a perder. "Vai alta a noite e vem chegando o dia". Você é importante no trabalho da Igreja. Neste pouco tempo de graça que nos resta, há muito que fazer. Busca em Deus a força e capacidade que necessitas. "O amor de Cristo nos constrange".

Lembremo-nos: Jesus voluntariamente lavou os pés dos discípulos. Jesus ensinou o tempo todo que a grandeza não está na posição social, mas na capacidade de servir.


 

Retângulo de cantos arredondados: Edição e apresentação: Rev. Günter Martinho Pfluck, CEL São João – Passo Fundo, RS
Outubro/2016